Meu filho não come: quando é fase e quando se preocupar

Dra. Giovana Güntzel Vidigal – Pediatra | CRM-PR 47.826 | RQE 37.052

“Ele não come nada.” Poucas frases preocupam tanto uma mãe. Na maioria das vezes, é uma fase esperada do desenvolvimento. Às vezes, é sinal de que algo precisa ser avaliado. Veja como diferenciar.

Por que parece que a criança come menos

Depois do primeiro ano, o crescimento desacelera e o apetite naturalmente diminui. É também a idade em que a criança passa a recusar alimentos novos. A seletividade é muito comum na infância e costuma melhorar com o tempo.2

O que ajuda – segundo os estudos

  • Oferecer de novo, sem pressão: a aceitação de um alimento novo aumenta com exposições repetidas – em estudos, cerca de 8 ou mais.3
  • Não forçar nem negociar: pressionar a criança a comer tende a diminuir o consumo e piorar o clima da refeição.4
  • Rotina: refeições e lanches em horários regulares, sem “beliscar” o dia todo e sem excesso de leite ou suco.
  • Comer juntos e sem telas: a criança aprende vendo a família comer.

Quando procurar a pediatra

Sinais de alerta descritos na literatura médica:1

  • Perda de peso ou pouco ganho de peso
  • Engasgos frequentes, dor ou dificuldade para engolir, vômitos
  • Aceita pouquíssimos alimentos, ou exclui grupos inteiros
  • Muito sofrimento na hora da refeição, para a criança ou para a família

Sem julgamento

Como a Dra. Giovana costuma dizer no @giovanaguntzel: ela precisa conhecer a vida real da família para orientar de verdade. Se a alimentação saiu do planejado, tudo bem contar.

Se a hora da refeição virou preocupação, a Dra. Giovana pode avaliar o crescimento do seu filho e ajudar a família com um plano possível.

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Leia também: Alimentação infantil · Introdução alimentar: por onde começar · APLV no bebê: sinais · Puericultura

Referências

  1. Kerzner B, et al. A practical approach to classifying and managing feeding difficulties. Pediatrics. 2015;135(2):344-353.
  2. Taylor CM, Emmett PM. Picky eating in children: causes and consequences. Proc Nutr Soc. 2019;78(2):161-169.
  3. Wardle J, et al. Modifying children’s food preferences: the effects of exposure and reward on acceptance of an unfamiliar vegetable. Eur J Clin Nutr. 2003;57(2):341-348.
  4. Galloway AT, et al. “Finish your soup”: counterproductive effects of pressuring children to eat on intake and affect. Appetite. 2006;46(3):318-323.

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